Vagabundo

24 julho, 2009
Categoria(s): Opinião 

Fernando Parizi
www.ferpa.blog.br

Semanas atrás defendi aqui aqueles dois portadores de deficiências físicas que pedem esmolas no semáforo da praça Cândido Rondon, ao lado do Mc Donald’s, centro de Mogi Guaçu. Fiquei revoltado com a forma com que foram tratados por um sujeito antipático e barrigudo, que os intimou a sumir dali no dia seguinte ou, se não o obedecessem, iriam ter com a polícia porque, esbravejou – e, além de mim, a ex-vereadora Irene Delfino (PSB), em carro logo atrás, testemunhou isso -, “a nova administração não quer vocês aqui”. Achei desumano o tratamento dispensado à dupla de desvalidos. Pois não é que eles próprios me deram motivo pra desejar que sumam na poeira e cumpram seu carma sem importunar os outros?!

Um deles é paraplégico e o outro tem o braço esquerdo atrofiado, talvez vítima, tal qual o parceiro, da poliomielite, ou, diferentemente dele, da maldita talidomida, droga que surgiu na Alemanha em 1957, indicada como sedativo de poucos efeitos colaterais mas que, constatou-se tardiamente, produziu toda uma geração de deficientes físicos e mentais enquanto suas mães acreditavam estar tomando, durante a gravidez, medicamento contra enjoo. Tanto o “cadeirante” (termo que os próprios usuários de cadeiras de rodas se outorgam nestes tempos do “politicamente correto”) quanto o do braço torto sempre agradecem aos que lhes dão moedas.

Parecem pobres coitados, especialmente o do braço, de quem nada tenho a reclamar. É ele quem empurra a cadeira do outro. E é este que por mim pode se lascar, que não me importo nem um pouco. Não depois que ele desrespeitou grosseiramente uma sobrinha minha, pré-adolescente, ainda criança, chamando-a de “gostosa” e mandando-a “tomar no…”, quando ela reclamou de sua falta de educação.

A mãe dela, uma de minhas quatro irmãs, telefonou para as autoridades, inclusive Conselho Tutelar e Ministério Público para denunciar o pedófilo cadeirante. Ouviu, em resumo, que já foi solicitado à Prefeitura que tomasse providências para impedí-los de continuar fazendo ponto para pedir esmolas naquele local. Foi orientada também a registrar queixa na polícia.

Só isso. Como se tomar as medidas cabíveis no caso fosse atribuição de competência exclusiva da Administração Municipal e da Polícia Civil (incluam-se a Polícia Militar e a Guarda Municipal). Cuspí pra cima e tive de engolir ao criticar o anônimo barrigudo. Não é só ”a nova administração” que não quer aquele bundamole (não estou me referindo ao rapaz com braço deformado) enchendo o saco naquele semáforo. Também eu quero que suma de Mogi Guaçu. E seu eu fosse ele, daria no pé, ou melhor, na roda, rapidinho, para não ouvir o que eu tenho a lhe dizer quando passar ali e ele vier me pedir ajuda com aquela cara de fudido na vida.

Comentários

Um Comentário para Vagabundo

  1. JOSÉ em 27 jul 2009 7:15
  2. Olha Fernando, o que você sua sobrinha sofreu com estes cadeirantes, a minha esposa já tinha sofrido tempos atrás, chegando inclusive a bater boca com um deles que a ofendeu e lhe disse diversos palavrões. Porém, como minha esposa é daquelas “explosivas”, o cadeirante ouviu poucas e boas, pois o cadeirante pensou que por ser uma mulher ela iria ficar quietinha e não dizer nada. Foi exatamente o contrário que aconteceu, no final foi ele quem ficou envergonhado. Seja a administração anterior ou a atual, o certo é que precisa-se acabar com o ganho fácil de dinheiro destas pessoas, estes cadeirante pelo que consta são de Mogi Mirim e como lá não permitem esse tipo comportamento ele veem para Mogi Guaçu, pois segundo eles mesmos, o povo daqui é “bonzinho” e os ajuda. Temos que ajudá-los sim, mas vamos ajudá-los dando trabalho sério. Temos tantos exemplos de deficientes que com força de vontade trabalham dignamente, porque eles tem que ser diferentes?